1º) Associação de Recicladores Interbairros: 32244049 (Simone ou Eva)
Rua: Adolfo Randazzo, 1050, Bairro Maestra, 1050- Caxias do Sul-RS - Caixa Postal 132- 95001-970
E-mail: assocrecicladoresinterb@ibest.com.br

2º) Associação de Recicladores Serrano 32386474 (Luiz ou Odilo)
Rua: Travessão Leopoldino,1303 Bairro Serrano
Caxias do Sul-RS

3º) Associação de Recicladores Desvio Rizzo: 30277791 (Fabiana ou Soeli)

4º) Associação Associação de Recicladores Jardim Glória
95700-000 - Rua José de Gaspari, 90
Bairro Jardim Glória – Bento Gonçalves - RS
Responsável: Marlene Maria Bizatto da Silva
(54) 452 0073

 

Veja o Folder da Campanha:
    Parte 1
    Parte 2

Relatório qualitativo e quantitativo
Projeto de Formação e Capacitação para Catadores e Carroceiros de Lixo Reciclável
(1º de julho de 2003 a 30 de junho de 2004)

1. Identificação do Projeto:
   1.1. Assunto: Projeto de Formação e Capacitação para Catadores e Carroceiros de Lixo Reciclável
   1.2. Localização: Diocese de Caxias do Sul – Rio Grande do Sul - Brasil

2. Observações a partir de uma realidade de assessoria popular com os recicladores e catadores de material reciclável em Caxias do Sul e Bento Gonçalves - RS.
A Diocese de Caxias do Sul, em consonância com a Igreja no Brasil, provocou no ano de 2003 um processo de planejamento participativo que culminou no Plano de Ação Evangelizadora (2004-2007), onde a partir da realidade verificada, são assumidos alguns projetos que poderão favorecer a participação na construção de uma sociedade solidária:

1º) Nenhuma comunidade sem o serviço organizado e integrado, que tem como objetivo: “Aprofundar o conhecimento da realidade e das desigualdades econômicas e sociais que ferem nossos irmãos, tendo compaixão como Jesus diante das multidões famintas, organizando o povo como Jesus mandou organizar, para que todos assumam suas palavras: ‘dai-lhes vós mesmos de comer’, com iniciativas e práticas solidárias”.

E na justificativa deste projeto é salientado “As nossas comunidades, que geralmente promovem uma ampla variedade de atividades caritativas e obras sociais, tenham o cuidado de não atender apenas às antigas formas de pobreza, mas também às novas, que surgem em conseqüência das numerosas mudanças econômicas e sociais que hoje atingem novos segmentos da população”.

Dentro deste projeto estão incluídos os recicladores de lixo que na grande maioria de nossas cidades já formam um exército de desempregados ou de “novos escravos”. Atualmente o setor reciclagem é uma das únicas possibilidades viáveis e possíveis para muitos desempregados que não possuem os requisitos necessário para o mercado formal de trabalho. O quadro de desemprego em Caxias pode ser verificado no anexo (ANEXO 01).
2º) Presença pública da Igreja
3º) Projeto de Revitalização das pastorais e forças sociais
O cenário do mundo do trabalho que é refletido, através do desemprego, do crescente trabalho informal, da flexibilização e precarização das leis trabalhistas, exige a idealização e a construção de uma nova cultura, um outro estilo de vida, um outro modo de consumo, que valorize a dignidade humana e as relações de igualdade e solidariedade.

Respondendo a estas exigências a comunidade eclesial deve considerar a centralidade do trabalho na vida da pessoa e na sociedade humana, promovendo a conscientização e a luta contra o desemprego, inclusive buscando caminhos alternativos de geração de renda e economia solidária (DGAE, 123h).

No Plano de Ação Evangelizadora da Diocese, este compromisso é assumido como um dos projetos e tem o objetivo de: “Assumir com a Igreja (CNBB Sul III), o compromisso permanente de realizar a Romaria do Trabalhador e da Trabalhadora (em 1º de maio de 2005), contribuindo para a formação, sensibilização e conscientização do povo na busca de saídas para a crise no mundo do trabalho, organizando as pastorais e forças sociais na continuidade da Romaria.”

3. Cenário atual das Associações de Recicladores de Caxias do Sul e Bento Gonçalves – RS
Como Igreja da Diocese de Caxias do Sul há mais tempo existe esta preocupação de encontrar formas e maneiras de ser presença nesta realidade. Pudemos vivenciar várias tentativas e experiências, mas é muito difícil encontrar alternativas que promovam a dignidade absoluta das pessoas e a partir deste resgate da cidadania se construa a verdadeira identidade de grupo.

Atualmente o cenário em Caxias do Sul é ainda de oito associações organizadas juridicamente e muitos outros grupos que se organizam por conta própria, além de carroceiros que trabalham para “grupos particulares” ou clandestinamente. Há um acompanhamento a estes grupos por parte do governo municipal, através de uma entidade (GUAY) que foi contratada para prestar este serviço. Por outro lado se organiza o Movimento dos Catadores, que é um movimento urbano à semelhança do MST (Movimento Sem Terra), que tem influência em algumas associações mais novas. Há uma organização deste movimento a nível nacional e estadual em que militantes “não recicladores” tentam influenciar e conduzir os grupos a partir de “bandeiras políticas” legítimas, mas que do nosso ponto de vista, não consideram as pessoas em sua realidade e necessidades. Também se deve considerar que a proximidade das eleições municipais é um ingrediente de pressão sobre os grupos. As associações de recicladores mais antigas transitam entre o acompanhamento governamental, algumas ações do movimento e o nosso acompanhamento.

Em Bento Gonçalves existem quatro associações organizadas e muitas outras que atuam clandestinamente, além dos carroceiros que catam na rua. Realizamos o acompanhamento sistemático em uma das associações e não o fazemos mais pela dificuldade de agentes capazes de acompanhar estas iniciativas com uma metodologia capaz de promover o protagonismo destes recicladores, pela pouca disponibilidade de tempo e porque não queremos ser meros repassadores de dinheiro.

4. Breve relatório das ações realizadas no Projeto de Formação e Capacitação para Catadores e Carroceiros de Lixo Reciclável de 1º de julho de 2003 a 30 de junho de 2004. Este projeto de formação, embora todo o tempo anterior de elaboração e planejamento, conforme relatório anterior, teve início prático no dia 01 de agosto de 2002, pensado por um grupo de parcerias de entidades governamentais (FAS, CODECA) e não governamentais (LEFAN - Legião Franciscana de Auxílio aos    Necessitados, CÁRITAS Diocesana, Centro dos Direitos Humanos e a Coordenação Diocesana de Pastoral).

A responsabilidade direta pela coordenação, administração e monitoramento do projeto é da Coordenação Diocesana de Pastoral da Diocese de Caxias do Sul, através das pessoas de Pe. Gilnei Antonio Fronza, Ir. Maria Brendalí Costa e Ir. Isabel Breda. Atualmente não participam mais como entidades parceiras as entidades governamentais e a LEFAN como entidade não governamental. Com o fim destas parcerias buscou-se continuar o trabalho e agregar novos parceiros para o trabalho, tais como a Pastoral da Criança, a Caixa Econômica Federal, a solidariedade de voluntários (Ótica Pioner, Roberto Delazzari, médico Oftalmologista, as paróquias com suas lideranças onde as associações estão localizadas e outros).

1º) Curso de Informática:
   O primeiro processo deste Projeto foi construído para atender a realidade de todas as Associações de Recicladores, onde foram escolhidos dois representantes de cada associação de recicladores de Caxias. Num segundo momento se avaliou a possibilidade de que este espaço de formação técnica fosse realizado no espaço físico de uma das associações (Interbairros de Caxias do Sul), visto que fora construída uma parceria com a Caixa Econômica Federal para fornecimento de equipamentos.

O convite para participação no curso foi enviado para todas as Associações (ANEXO 02), mas não houve adesão. A partir disso foi selecionada uma educadora, que foi escolhida pelos critérios da capacidade de respeito à realidade das Associações. A metodologia de trabalho é participativa com o proposto de provocar a preparação de multiplicadores. Está sendo elaborado um subsídio (apostila) próprio para a realidade dos recicladores. Foi realizado um contrato de prestação de serviços com a educadora de 01 de setembro até 30 de dezembro de 2003 (ANEXO 03), que é mantida pelo Projeto de Formação.

A tentativa inicial foi de realizar o curso para os associados da Associação de Recicladores Interbairros, onde foi montada uma sala digital com computadores cedidos pela Caixa Econômica Federal e coordenados pelo    Projeto de Formação, através da Diocese de Caxias do Sul.

Para isso foram viabilizadas aulas para os filhos (crianças e adolescentes) dos associados da Associação de Recicladores Interbairros de Caxias do Sul. Trabalha-se desta forma a auto-estima dos filhos de recicladores encarando a reciclagem como trabalho digno. Para tanto fez-se necessário contratar um motorista para realizar o transporte destas crianças e adolescentes com segurança até o local do curso (ver ANEXO 04), visto que são provenientes de diferentes bairros da região. O processo foi de construção participativa e em conjunto, sendo realizadas assembléias e avaliações constantes, conforme se pode verificar no projeto.

A partir do mês de dezembro de 2003 começamos a articular a possibilidade de atender neste espaço de cidadania crianças residentes nos bairros vizinhos como uma prestação de serviço que a reciclagem se propôs para a comunidade. Os critérios de escolha priorizaram as crianças que estão envolvidas na Pastoral da Criança, através da participação das mães, irmãos ou outro familiar. A Associação de recicladores buscou outras crianças na comunidade (catequese, outras lideranças).

No dia 21 de novembro de 2003 realizou-se a inauguração do espaço da Sala Digital, com a presença de autoridades, das entidades parceiras e dos familiares dos envolvidos. Houve celebração e festa de formatura de um primeiro grupo no dia 29/01/2004; e depois seguiram outros em 27/02/2004; no dia 28/05/2004 houve encerramento do curso com os filhos de associados de menor idade e que precisavam retornar às aulas, pois acabaram as férias e também de associados da associação, bem como de outra turma de filhos de integrantes da comunidade-bairro e que têm ligação com a Pastoral da Criança. Atualmente há várias turmas em funcionamento, conforme se pode verificar (ANEXO 05). Este projeto muda o paradigma de concepção de que “eles, os recicladores, são os excluídos que só devem receber” para uma concepção de que “eles, os recicladores, também têm algo para oferecer” à comunidade.

2º) Projeto Retorno ao Estudo Acadêmico – A proposta surgiu em 23 de março de 2003, a partir da realidade e por provocação das associações de recicladores. Vários recicladores usufruíram deste benefício, sendo que a senhora Eva Guedes da Silva, no dia 23 de abril de 2004 conseguiu concluir o segundo grau. Outros recicladores continuam seus estudos e conseguem continuar a sua caminhada com o benefício deste recurso. A dificuldade é perseverar no estudo iniciado, pois a maioria são mulheres, mãe de famílias e com vários filhos pequenos. Todas estudam no período noturno, no centro da cidade e dependem de outros para cuidar de seus filhos. Além do cansaço pelo trabalho braçal realizado na Associação, também arriscam na falta de segurança, pois se locomovem de ônibus, tarde da noite, numa região muito violenta. Outro fator que impede a participação e a perseverança é o machismo e a mentalidade de que cuidar dos filhos e cuidar da casa é tarefa exclusiva da mulher. Então depois de trabalhar o dia todo na reciclagem, que é um serviço pesado, elas saem do serviço às 17:30 horas e vão para casa a pé (sendo que a distância é de mais de três quilômetros), depois em casa devem deixar a janta pronta, acomodar as crianças e se arrumarem com rapidez para não perder o horário da aula. Isso sempre com a preocupação na cabeça de ter deixado os filhos menores.

3º) Assessoria liberada para monitorar os grupos, encontros, reuniões e elaborar material ou teorizar ações. Avaliou-se como importante e necessidade a atuação de uma pessoa com tempo maior no acompanhamento das ações de mobilização da comunidade. Também se considerou importante haver a continuidade de uma pessoa liberada para acompanhar e monitorar as associações de recicladores de Caxias, de Bento Gonçalves e que receberia uma ajuda de custo pelo Projeto de Formação para viabilizar esta ação. A Ir. Maria Brendalí Costa continua sua ação de monitoramento às Associações da Diocese (ver ANEXO 06). Com a saída de Vanisse Zancan no mês de dezembro de 2003, foi liberada a senhora de Osvaldina Tittoni Lopes a partir do dia 1º de marco de 2004, conforme consta no contrato de prestação de serviços anexo (ANEXO 07), que ficou responsável de continuar e viabilizar o trabalho de integração das associações com a comunidade civil, bem como de monitorar ações locais em cada associação.

4º) Projeto “Associações a serviço da Comunidade” - Foi elaborado, de maneira conjunta e participativa, um folder de divulgação e conscientização da comunidade para a falta do lixo (matéria prima). Várias atividades ocorreram neste período, sendo que podemos salientar algumas:
   - Treinamento dos associados das associações para estudo do folder;
   - Visita às escolas por parte de associados das reciclagens mais a assessoria (Vanisse Zancan) da diocese para explicação do trabalho da Associação de Recicladores e da necessidade de uma educação para a correta separação do material reciclável e entrega para o caminhão da coleta seletiva;
   - Encontro na Associação de Recicladores Serrano para visita às residências do bairro e para entrega do folder. Foram envolvidas as pessoas da Associação, o pároco Padre Paulo Gasparetto, Grupo de Jovens da Comunidade, catequistas e catequizandos do Crisma. Foram divididos em quatro grupos que realizaram a visita em algumas famílias do bairro;
   - Reuniões com os padres e lideranças das paróquias de Bento Gonçalves para realização deste trabalho;
   - Reuniões com Conselhos de comunidades eclesiais para explicação do projeto;
   - Explicação do folder para professores da rede pública municipal na cidade de Bento Gonçalves, no dia 13/04/2004;
   - Semana do meio ambiente em Bento Gonçalves;
   - Na região do Bairro Santa Fé em Caxias, onde estão abrangidos os vários bairros em que os associados da Associação de Recicladores Interbairros moram, foi iniciado um processo de reflexão das ações das várias entidades existentes nesta região com o objetivo de diagnosticar o tipo de ação realizada e tentar integrar o trabalho. Isso para viabilizar o Projeto Diocesano “Nenhuma comunidade sem serviço da caridade organizado e integrado”. A Associação de Recicladores Interbairros é parte integrante destas entidades.
   - Outras ações como se pode verificar em alguns relatórios (ANEXO 08).
   Atualmente se percebe a necessidade de reeducação na separação correta do lixo seletivo.

5º) Projeto alfabetização em conjunto com a Pastoral da Criança – (ver o projeto completo no ANEXO 09)
Houve uma solicitação em 2003 de duas associações de recicladores (Interbairros de Caxias do Sul e Jardim Glória de Bento Gonçalves) de que retornasse o estudo dentro das associações. Foi solicitado de que os próprios recicladores fossem educadores dos recicladores.

No início do ano de 2004, através do acompanhamento mais sistemático à Associação de Recicladores Serrano, foi constado o desejo e a necessidade de que se iniciasse esta proposta também neste grupo.

1º) Na associação de Recicladores Interbairros, depois de várias tentativas, foi acertado de trabalhar em conjunto com a Pastoral da Criança, que já tem um método de alfabetização básico, que é o método Paulo Freire.    A negociação aconteceu desde o mês de janeiro de 2003, mas começou a ser viabilizada no mês de maio do mesmo ano. No dia 17 de junho de 2003 em reunião conjunta (Eva Guedes da Silva, Ângela Simone de Jesus, Isabel Antoniazzi, Ir. Brenda, Vanisse Zancan) foi explicado o método da Pastoral da Criança, os critérios e as exigências. A Associação ficou com a responsabilidade de pensar nesta proposta. Depois de reunião conjunta e conversa individual com a Cristiane e a Roseli aceitaram a proposta . No dia 30 de junho foi realizada uma reunião, na Associação, com a Isabel da Pastoral da Criança, a Ir. Brenda e membros da Associação, onde ficou acertada a possibilidade de iniciar a formação para os educadores dos dois empreendimentos no dia 15 de julho a partir do método e acompanhamento da Pastoral da Criança. No dia 15 de julho iniciou a formação com o estudo do guia do líder da Pastoral da Criança, com a assessoria da Pastoral da Criança, através da Isabel Antoniazzi. Ficaram marcadas reuniões para o dia 21 e 23 de julho, das 9:30 horas às 12 horas. A formação específica para a alfabetização ocorreu nos dias 27 e 28 de agosto de 2003, promovida e organizada pela Pastoral da Criança, tendo como coordenadora e supervisora Maria Isabel Antoniazzi. Participaram do curso Cristiane da Silva Vieira e Roseli Maria da Silva pela Associação de Recicladores Interbairros e Daniel pela Associação de Recicladores Jardim Glória de Bento Gonçalves.

Além de todas as reuniões com integrantes da Pastoral da Criança, nós da equipe da Diocese (Padre Gilnei e Ir. Brenda) realizamos no dia 12 de agosto de 2003, uma assembléia com todos os associados para explicar os objetivos do trabalho e da necessidade de iniciar e perseverar numa alfabetização para a cidadania.

No dia 15 de agosto de 2003, depois de todo o processo de organização e viabilização do projeto, começaram as aulas na Associação tendo como educadoras as duas associadas Roseli e Cristiana. Iniciativa inédita em que “os próprios recicladores educam recicladores”. Em janeiro de 2004 a educadora Cristiane deixou a Associação e a educadora Roseli continuou o trabalho. Desde abril de 2004 estão em processo de reavaliação, visto que o grupo reclama muito pelas “horas não trabalhadas” enquanto alguns estudam. Nos dias 21 e 22 de maio de 2004 houve o treinamento para a Alfabetização neste método de mais duas integrantes da Associação (Eva Guedes da Silva e Ângela Simone de Jesus). A Ir. Brenda conversou individualmente com cada integrante da alfabetização, sentindo as necessidades de cada um, escutando as dificuldades e as possíveis sugestões que poderiam ser viabilizadas. A avaliação dos alfabetizandos é muito positiva com relação ao fato das educadoras serem da própria associação. Há muita comunicação e paciência ao processo de aprendizagem. Surgem algumas dificuldades que precisam ser aprofundadas.

Nas assembléias e nos encontros pessoais com os integrantes da escola foi constada a dificuldade de visão. Foi constatada a necessidade da consulta para um médico oftalmologista e o devido encaminhamento para a aquisição de óculos ou outro tipo de necessidade.

Observação: A Pastoral da Criança fornece os livros próprios e necessários para cada alfabetizando e o Projeto de Formação garante os outros materiais necessários e assessoria no monitoramento aos grupos.
2º) Na associação dos Recicladores Jardim Glória de Bento Gonçalves, que iniciou suas atividades no dia 23 de dezembro de 2002, em assembléia no dia 21 de março de 2003, o grupo solicitou à pessoa da Ir. Brenda, através do Projeto de Formação, de que fosse providenciada aula de reforço no interno no grupo. Foi deixada a responsabilidade para o padre Gilmar Marchesini, que não conseguiu viabilizar a proposta. Depois disso começamos articular outra possibilidade com várias pessoas. No dia 26 de junho de 2003, foi conversado com a sra Májida, que apresentou um projeto de trabalho.

A reunião com os padres das paróquias, não chegou a ocorrer no dia 26 de junho. No dia 04/07/2003, conversamos novamente com a senhora Májida e com o Daniel que se dispuseram a fazer um trabalho voluntário. O Daniel já tem a formação do guia do líder da Pastoral da Criança e poderá fazer a formação específica para a alfabetização. No dia 14 de julho colocamos a questão para o grupo: ‘quem deverá assumir este trabalho se a Májida ou o Daniel’. O grupo se manifestou pelo Daniel, visto que estamos tentando ter uma assessoria voluntária para prestar esse serviço e os gastos seriam de transporte, alimentação e recursos materiais e humanos. É curioso que o Daniel é um jovem, casado, que é portador de deficiência física, sendo impossibilitado de se locomover, a não ser com cadeira de rodas. Ele é um exemplo de luta, gratuidade, respeito e determinação, vencendo a resistência dos recicladores à alfabetização. Nos dias 27 e 28 de agosto de 2003, houve o treinamento e capacitação para a alfabetização, através do monitoramento da Pastoral da Criança. No dia 09 de setembro realizamos uma reunião com o Daniel, Ir. Brenda e os integrantes da Associação para combinar os dias e horários, sendo que ficou nas segundas e quintas-feiras, das 14 às 17 horas.

No novo treinamento e capacitação de 21 e 22 de maio de 2004 foi enviada a Cristiana, uma integrante da associação para este treinamento.

Foi encaminhada a consulta para um médico oculista no dia 09 de julho de 2004 e o encaminhamento para a aquisição dos devidos óculos ou outra necessidade.

3º) Na Associação de Recicladores Serrano de Caxias do Sul no início do ano de 2004 houve esta constatação. A dificuldade era encontrar alguém que fizesse de educador. Em princípio pensamos que fosse um reciclador, mas não foi possível. Então partimos para o conhecimento de agentes da comunidade. Conversamos com lideranças e com o padre, visto que deveria ser um trabalho voluntário. Foi indicado o nome de uma liderança da comunidade (a Gabriela). Ela realizou o treinamento da Pastoral da Criança nos dias 21 e 22 de maio, visto que já havia feito a preparação básica desta pastoral. A partir daí e com ajuda de Osvaldina, que também fez o treinamento, foi desencadeado um diagnóstico da realidade, com a devida supervisão da Pastoral da Criança. O Projeto de Formação dará uma ajuda de custo no transporte da educadora e na supervisão realizada pela Pastoral da Criança.

Realizamos uma assembléia no dia 1º de junho de 2004 com toda a Associação, contando com a presença de Padre Gilnei, Irmã Brenda e Osvaldina onde foi explicado o objetivo, o método e a parceria deste Projeto de Alfabetização de Jovens e Adultos. Neste dia houve um clamor de uma integrante da Associação que disse ter muita vontade de estudar, mas que não consegue enxergar.

Depois de um processo de preparação, organização e viabilização deste projeto a aula iniciou no dia 17 de junho de 2004, contando com a participação de 13 integrantes, em duas tardes por semana, numa sala na reciclagem. Iniciando a aula foi constada dificuldade de visão dos participantes. Nesse tempo foi viabilizada a possibilidade de um profissional - médico oftalmologista. Depois de vários contatos e tentativas no dia 25 de junho de 2004, das 14 horas às 18 horas realizamos a primeira consulta médica e o devido encaminhamento para a aquisição de óculos ou cirurgia ao grupo da Associação de Recicladores Serrano, onde foram atendidas sete pessoas. Dos que foram atendidos, quatro pessoas precisam de cirurgia, sendo que duas de pequeno porte e duas de grande porte. Todos os casos foram encaminhados para o atendimento público do Sistema Único de Saúde: consultas, exames e se for necessário cirurgia.
O Projeto de Formação está dando uma ajuda de custo no transporte dos necessitados de consulta e na alimentação para este período.

Observação: para a realização da consulta médica foi realizada uma parceria com lideranças de comunidades que exercem profissionalmente a medicina e se dispuseram a realizar este trabalho voluntariamente. Também a aquisição dos óculos será cobrado o preço de fabricação e haverá uma ajuda de custo do Projeto de Formação que facilite a compra. A ajuda se faz necessária pela dificuldade que os mesmos têm de fazer este investimento. A grande maioria das pessoas que realizaram a consulta já haviam feito outras consultas médica anteriormente, mas não conseguiram adquirir os óculos, devido ao preço.

6º) Curso de Economia e gerenciamento (contabilidade, orçamento e tributos):
   Conseguimos a assessoria do Professor Sandro Santos da Universidade de Caxias do Sul (UCS), para assessorar um curso de economia com representantes das associações. O processo foi iniciado e estava ajudando muito aos grupos na visão de planejar um orçamento. Embora avaliado como muito positivo, não foi concluído pelo fato do assessor estar com sobrecarga de trabalho.

7º) Formação técnica para o uso do moinho picoteador e aglutinador.
No dia 26 de setembro de 2003, foi realizado na Associação de Recicladores Interbairros de Caxias do Sul, um curso de operação de moinho, picoteador e troca de lâminas. O Curso foi assessorado por Roque Spier, reciclador da Associação de Recicladores Dois Irmãos, que integralizou o total de oito horas de curso para os integrantes das Associações do Planalto, Serrano e Interbairros. Desta forma se poderá usar o moinho que está cedido na Associação de Recicladores Interbairros. A intenção é agregar valor ao plástico e aumentar com isso a renda mensal.

8º) Visita à Feira de Economia Solidária Estadual, realizada em Porto Alegre, no dia 30 de abril de 2004, onde foram representantes das Associações: Interbairros, Serrano, Planalto e Jardim Glória de Bento Gonçalves.    Além de ser um momento de conhecer a realidade de outros projetos alternativos e as possibilidades existentes na área da economia solidária, teve como objetivo estimular novas iniciativas nas associações de recicladores.

9º) Reuniões com a Federação das Associações de Recicladores do Rio Grande do Sul (FARRGS).

No dia 01 de agosto de 2003 realizou-se um encontro de recicladores do estado do Rio Grande do Sul em Santa Maria e fomos numa representação grande das nossas associações. Sentiu-se uma forte tensão entre os integrantes do Movimento de Catadores e os participantes da FARRGS.

Durante o ano de 2003, realizou-se o processo para eleição da nova diretoria da FARRGS em todo o estado do Rio Grande do Sul. Foi um tempo de muita tensão, mas também de muita reflexão, conversa e organização para não permitir que integrantes das associações que não tinham interesse de beneficiar as associações, mas única e exclusivamente se promover politicamente às custas dos recicladores, vencendo as eleições, ocupando o espaço da Federação. O Irmão Antônio Cechin, que acompanha alguns grupos de Porto Alegre, foi um grande profeta neste momento histórico, juntamente com Roque e Odete Spier, integrantes de Associações de Recicladores de Dois Irmãos e algumas associações de Caxias do Sul. Depois de muito sofrimento foi possível, pelo processo eleitoral legítimo, eleger uma coordenação representada por recicladores que vão levar adiante propostas que consideram a realidade de cada grupo e também a realidade do Estado.

Entre várias atividades realizadas participamos de um encontro no dia 14/03/2004 onde se reuniram todas as entidades parceiras para estudo do plano de ação da federação (ver ANEXO 10).
No dia 04 de maio de 2004 realizamos uma reunião com representantes das associações de Caxias e três representantes da Diretoria da Federação para estudo da situação das associações no estado do Rio Grande do sul e principalmente aqui na nossa região. Almoçamos juntos e depois esta equipe, junto com a presença do Sr. Luiz, integrante da Reciclagem Serrano, visitou todas as oito associações de Caxias. No dia 05 de maio a equipe, com a presença de Osvaldina Tittoni Lopes, continuou a visita às quatro associações de Bento Gonçalves.

10º) Visita do Irmão Antônio Cechin às associações de Caxias.
No dia 16 de março de 2004, durante o dia realizamos a visita às associações de recicladores Interbairros e Serrano com a presença de Irmão Cechin, um dos grandes pensadores, idealizador e profeta da ecologia e do trabalho com recicladores nas ilhas do rio Guaíba em Porto Alegre.

11º) Orientação jurídica:
Na medida do possível e a partir das necessidades que vão ocorrendo é realizada orientação jurídica, através da pessoa de Irmã Maria Brendalí Costa:
a) às pessoas em casos particulares:
- para orientação nos mais diversos casos;
- para encaminhamento de ação;
- acompanhamento de processo no Fórum e outras instâncias administrativas;
- orientação e acompanhamento em audiência e para testemunha;
- visita a presos no presídio e acompanhamento de familiares ou encaminhamento para Pastoral Carcerária;
- orientação e encaminhamento para familiares;
- encaminhamento de documentação em cartório, repartições públicas e privadas.
b) às associações:
- encaminhamento de documentação em cartório, repartições públicas e privadas;
- orientação e acompanhamento nas necessidades de cada grupo;
- explicação em assembléia de alteração estatutária e regimental;
- elaboração conjunta de novos estatutos e novos regimentos por exigência legal.

12º) Outras atividades:
   - Acompanhamento a novos grupos de associações de recicladores em Caxias do Sul, com alcance em cidades que fazem parte da Diocese que estão em processo de organização. Também é dada ajuda a outros municípios e cidades que sentem esta necessidade e querem responder a este desafio.
   - Encontros do Fórum das Associações da cidade de Caxias com seus coordenadores e ou delegados;
   - Visita a outros projetos de reciclagem de lixo a nível de estado, de país e outros países;
   - Reuniões com entidades governamentais
   - Formação específica em cada associação, principalmente para a separação correta dos materiais;
   - Acompanhamento individualizado às pessoas dos grupos, conversas, visitas;
   - Reuniões com entidades governamentais e não governamentais;
   - Processo de elaboração de novos estatutos e novos regimentos para as associações de Caxias e Bento Gonçalves: assembléias para explicação dos objetivos, da necessidade e as mudanças necessárias;
   - Articulação e acompanhamento de visitas às associações para conhecimento da realidade e conhecimento do projeto;
   - Entrega solene de licença ambiental à Associação de Recicladores Interbairros e Serrano de Caxias. Com essa permissão as associações são consideradas como empresas e como tais podem desenvolver um projeto de desenvolvimento com o apoio da iniciativa privada e pública.
   - Celebramos e festejamos o Natal nas Associações: Interbairros de Caxias do Sul (no dia 29/12/2004), Jardim Glória de Bento Gonçalves (23/12/2004) e Serrano de Caxias do Sul (19/12/2004). Antes realizamos uma avaliação participativa do trabalho, recuperando o sentido de uma mística cristã, que considera o respeito à dignidade da pessoa humana, não querendo fazer nenhum proselitismo com estes grupos que acompanhamos.
   - Visita dos italianos integrantes da entidade SAL (Solidariedade para com a América Latina) do dia 28/06 a 20/07/2003.
   - Empenho em pagar dívidas da construção do prédio da Associação de Recicladores Interbairros.
   - Tentativa de integração das ações governamentais do Projeto Fome Zero, através do Projeto Trabalho 10 Fome Zero que promove a capacitação técnica.
   - e outras atividades rotineiras.

5) Recursos Financeiros para garantir estas ações:
   a) Das Associações de Recicladores:
   A contrapartida do Grupo de Recicladores será através das horas de trabalho que os mesmos deixarão de realizar, durante este tempo de formação, bem como no tempo para as reuniões, no fornecimento da alimentação para os encontros que se realizam no interno da associação.
   Para a realização da alfabetização são utilizadas as salas de aula no próprio local da associação, bem como as condições físicas necessárias.
   Agora com a disponibilidade de computadores para a continuidade do curso de computação na Associação de Recicladores Interbairros, visto que está sendo firmado um convênio de parceria entre a associação e a Caixa Econômica Estadual, há o investimento no pagamento da infra-estrutura (água, luz, telefone, lanches diários para todos ...) para o desenvolvimento do curso de computação.

b) Da Diocese:
A contribuição da Diocese de Caxias do Sul acontece de diversas maneiras e em constantes momentos: 1º) na disponibilidade de tempo das pessoas que coordenam o processo deste projeto formativo e de outras pessoas que disponibilizam de seu tempo nos grupos, nos encontros, no uso dos carros para transporte, preparação de encontros e reuniões, elaboração de materiais, no acompanhamento à assessoria (conversas, avaliação, pagamentos), na realização da prestação de contas (contabilidade), em que é a Ir. Isabel Breda que presta este serviço, etc; 2º) no repasse de ajuda financeira, através de recursos da Campanha da Fraternidade, que são geridos pelo Fundo Diocesano Cáritas, na organização de algumas destas entidades associativas, como se pode verificar nas ajudas realizadas a várias associações de Recicladores (ver ANEXO 11); 3º) através do abatimento dos preços das estadias e diárias do Centro Diocesano; 4º) na ajuda e custo que a Cáritas    Diocesana proporciona em situações de transporte e alimentação da assessoria ou outras situações; 5º) na disponibilidade do Centro de Pastoral no uso de telefone, computador, internet, carros, luz, água, xerox, alimentação, material de expediente e tantas outras necessidades que foram atendidas. Tudo isso não pode ser medido e contabilizado, pois é realizada uma contabilidade diferenciada pela Mitra Diocesana Diocese de Caxias do Sul.

6) A experiência comprova alguns desafios:
   Acompanhando os grupos e as pessoas envolvidas neste processo, podemos constatar várias questões que nos fazem refletir:
- Perguntando aos integrantes, a grande maioria se sente contente em estar neste trabalho;

- O trabalho na produção, não é coletivo, mas individual (cada um faz sozinho sua parte de separação de material), embora a proposta seja associativa. A exceção ocorre na Associação Serrano e na Associação Planalto onde a separação do material ocorre em grupos que trabalham em uma mesa coletiva.

- Na Associação de Recicladores Interbairros - Estamos buscando aprofundar para melhorar a nossa compreensão da vivência, da cultura e do meio em que se encontra as nossas reciclagens e escolhemos a região onde se localiza a Associação de Recicladores Interbairros, buscando dados que mostram a realidade de onde provém o grupo, o número de filhos, relações familiares e o quadro da violência na região (através do Banco de Dados do Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos da Diocese), considerada a mais violenta de Caxias do Sul.

- Existe muita rotatividade de pessoas nos grupos. A exceção é na Associação Interbairros, onde o grupo, embora as mudanças ocorridas, conserva o mesmo número de integrantes, com uma perseverança de várias pessoas desde o seu início em 1997 (ver ANEXO 12).
- Há falta de matéria prima (lixo). A privatização está acontecendo na prática.
- A maioria dos associados não faz a separação correta do material reciclável em casa e nem na associação.
- A maioria dos integrantes da associação não têm conhecimento dos tipos de materiais.
- A apresentação e limpeza do galpão (interior e exterior) fica muito a desejar.
- Padrão e ritmo de produção muito fraco e não padronizado. Não há uma disciplina de produção e a qualidade do trabalho fica comprometida.
- Os novos integrantes não são treinados no novo trabalho, na maioria das vezes.
- Rejeito (material não reciclável) muito rico x não aproveitamento máximo dos materiais.
- É um desafio a questão da saúde: chuva, frio, umidade, cheiro, poeira, barulho, contato com materiais contaminados ou perigosos. Ainda não conseguimos um projeto de ação integral nesta área. Se constata várias necessidades, mas o custo para o atendimento na área de saúde é muito caro.
- Vários associados não alfabetizados e outros com dificuldade de continuar os estudos pelos altos preços das mensalidades nas escolas privadas.
- A relação com a comunidade é muito fraca (escolas, universidades, igrejas).
- As Diretorias da Associação com dificuldade de reunir-se, planejar e gerenciar.
- Onde há trabalho em dois turnos. Turnos do dia e da noite em competição.
- Conflito com assessoria.
- Dificuldade de gerenciar internamente: fofocas, atritos, não valorização dos espaços de formação.
- Há uma grande preocupação com a partilha no final do mês. Esta preocupação é tanto da Diretoria como do grupo.
- Preocupação com as dívidas (aluguel, concertos, pavilhões novos).
- Não pagam o INSS, com exceção de uma reciclagem.
- Há muita reclamação da população de que os catadores que passam de carrinho ou outro meio de transporte e realizam a coleta individual, acabam rasgando as sacolas, misturando e esparramando na rua o lixo seletivo e o orgânico. Trabalhar esta indignação do povo.

- A Sociedade não separa o lixo em casa. As crianças colaboram para uma nova mentalidade. Há muitas escolas realizando este trabalho.

- Os compradores da produção das associações não são os mesmos = há uma indução a não venderem juntos e nem darem o preço que precisam. Rivalidade entre as associações com relação a compradores, preços...

- Atualmente não há uma política pública ou um convênio que assegure o fornecimento de lixo para as reciclagens. É necessário pensar e concretizar a nível municipal uma política pública que garanta o destino dos resíduos recicláveis às associações existentes para que as mesmas tenham a possibilidade de viabilidade econômica e consigam ser auto-sustentáveis.

- As Associações de Recicladores não participam de ações de mobilização e atividades em que haja envolvimento com outros grupos por lutas mais amplas. Por exemplo: embora o convite e a insistência não houve a participação de nenhum reciclador no Grito dos Excluídos, promovido pelas Pastorais Sociais da cidade de Caxias do Sul, no dia 07 de setembro de 2003. Esporadicamente a participação acontece
- dificuldade de mudar a mentalidade de que o espaço de formação implica em perda de horas trabalhadas e com isso diminui a produção do grupo. De outra parte o grupo carente de formação e informação não reage à esta imposição do grupo.

- dificuldade de uma reflexão mais politizada com as lideranças e com os integrantes das associações, onde consigam “olhar globalmente para agir localmente”.

- houve um conflito muito grande entre buscar a sustentabilidade do projeto, tornando as associações autônomas e de uma busca no sentido de tornar o movimento com postura política de reivindicação. Nós priorizamos a pessoa humana dando condições de escolher a opção de vida (auto-estima, alfabetização ....), descuidando de uma postura política.

7 - Concluindo, sem concluir...
A Diocese de Caxias do Sul reconhece a iniciativa criada pela Administração Popular do Município de Caxias do Sul, dos projetos de geração de trabalho e renda, através das Associações de Recicladores. Recorda que ao ser convidada a somar-se às entidades governamentais e não governamentais que prestam assessoria a estes grupos, sempre quis somar e não dividir, sempre priorizou a formação das pessoas participantes destes grupos, dentro de um projeto que atenda às várias dimensões e necessidades destas Associações, pois entende que não se deve reduzir tamanha iniciativa apenas à geração de renda, mas formar pessoas para a prática de uma cultura de solidariedade.

Salienta também que ao iniciar a participação neste processo tinha clareza de que se prestaria para unir as associações e resolver ou encaminhar soluções de problemas comuns a todos os grupos. A questão mais desenvolvida pela assessoria da Diocese é a de sustentabilidade do Projeto das Associações. Para isso se faz necessário vencer a mentalidade do viver somente para o hoje, do imediatismo, do pragmatismo. Assim como construir relações mais solidárias num ambiente onde o instinto de sobrevivência grita mais alto. Onde não se tem muito compromisso com prazos, metas, produção, prestação de contas. Ao enfocar mais a sustentabilidade relegamos par uma segundo momento a questão de uma participação mais decidida de mobilização política. O que resultou numa cisão do projeto que havia iniciado com tantas parcerias e findou em críticas por uma “alienação política”.

Com a criação de uma Secretaria Municipal de Desenvolvimento iniciou-se uma disputa com a Fundação de Assistência Social (FAS) da Prefeitura, para ver quem continuaria gerenciando estes projetos. Some-se a isso as eleições para o governo do estado em 2002, com a derrota do governo Olívio Dutra. E agora com a proximidade das eleições municipais de 2004 compreende-se o porquê da preferência do aspecto político, relegando a sustentabilidade num segundo plano.

Queremos apenas colaborar no processo e fortalecimento da organização, da democratização à informação e à formação, ampliando a cidadania numa cultura de solidariedade.

Reafirmamos a convicção de que é urgente e necessário pensar e concretizar a nível municipal uma política pública que garanta o destino dos resíduos recicláveis às associações existentes para que as mesmas tenham a possibilidade de garantir um verdadeiro desenvolvimento sustentável.
Caxias do Sul, 01 de julho de 2004.

Pe. Gilnei Antonio Fronza
Responsável pelo projeto

Ir. Maria Brendalí Costa
Coordenação do Projeto

RELAÇÃO DOS DOCUMENTOS ANEXOS:

Anexo 01 – Dados da realidade do desemprego na cidade de Caxias do Sul

Anexo 02 – Carta da Interbairros às Associações

Anexo 03 – Contratos das educadoras do Curso da Informática

Anexo 04 – Contratos dos motoristas do Curso de Informática

Anexo 05 – Turmas que estão cursando o curso de Informática na Sala Digital

Anexo 06 – Contrato de Maria Brendalí Costa

Anexo 07 – Contrato Osvaldina Tittoni Lopes

Anexo 08 – Relatórios Vanisse Zancan

Anexo 09 – Projeto de Alfabetização

Anexo 10 – Plano da FARRGS

Anexo 11 – Prestação de Contas do Fundo Diocesano

Anexo 12 – Quadro da Realidade da Associação de Recicladores Interbairros

Anexo 13 – Relatório quantitativo do recurso econômico enviado pela CEI

Anexo 14 – Carta à CEI

 


 
Untitled Document
Todos Direitos Reservados - Mitra Diocesana de Caxias do Sul, 2010 Fone: (54) 3214.5388 - Caxias do Sul, RS